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segunda-feira, setembro 02, 2013

NANÁ DESCOBRE O CÉU

      Hoje li um livro intitulado "NANÁ DESCOBRE O CÉU", autores "José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta".



      Este livro traz as memórias de uma indiazinha guarani chamada NANÁ. 
      A história é baseada em seus escritos, você vai ver que ela vivenciou uma verdadeira revolução na sua aldeia, com a chegada de um padre, nova cultura e religião, o que de início parecia algo bobo e sem prejuízos para o seu povo, trouxe a divisão dos mesmos e a fragilidade diante dos "bandeirantes", uma revolução que se transformou - mais tarde - nas famosas missões. 
      Em NANÁ DESCOBRE O CÉU, aqui nos divertimos muito com a menina e seu amigo TATÁ, juntos eles brincam, brigam e se metem em muitas peripécias. Ela é a que escuta e questiona as verdades do Padre Inácio. Para esta menina que tinha a altura de dois macacos em pé, este negócio de Deus, pecado e cruz era muito complicado. Sua luta era pela preservação da cultura do seu povo e a busca da legendária Terra sem Males.
      Aqui vou deixar para vocês e para mim as partes onde minha sensibilidade aflorou, pois assim aguço a tua curiosidade ou desejo de ler e mato a saudade do laço que já construí com NANÁ e TATÁ e todos os povos representados aqui!

"Padre Inácio nos contou que o Deus dele criou o mundo do nada e que, depois de juntar um monte de barro, fez o primeiro homem: um tal de Adão. Então um monte de barro se espatifou na cara do padre. Quem jogou o barro foi o Tatá. O Tatá é fogo.
"Ra, rá!", disse ele, "atirei um pedaço de Adão no padre!"
Padre Inácio fez uma cara de quem estava com vontade de dar uma surra de rabo de tatu no Tatá, mas respirou fundo e continuou a falar.
Ele nos contou sobre Adão e sua mulher, Eva. Explicou que os dois viviam num lugar lindo chamado Paraíso, até que um dia comeram um fruto proibido e foram expulsos dali.
Bem nessa hora uma pitanga bateu na sua testa.
"Ra, rá!", disse o Tatá "atirei um fruto proibido no padre!" [...]
Padre Inácio seguiu em frente. Falou que Adão e Eva tiveram muitos filhos, e esses filhos desobedeceram o seu deus. Desobedeceram tanto que um dia o tal deus se aborreceu e mandou o Dilúvio, que foi uma chuva que choveu por dias e dias e dias.
Foi então que o Tatá se levantou de onde estava e mijou no vestido do padre.
"Ra, rá!", disse ele, "estou fazendo um dilúvio no padre!"
Padre olhou para cima, disse "Dai-me paciência, Senhor" e encerrou a aula."

Uma fala de NANÁ me encanta e demonstra como as crianças são questionadoras:

"Eu gostava da religião do padre Inácio. Por que ele nao podia gostar da minha? Por que ele queria que eu a jogasse fora como se fosse uma casca de mandioca, um sabugo de milho, um rabo de peixe?"

E finalizo com a maior lição que aprendi com essa pequena indiazinha Tatá.

"[...] Talvez, no futuro, as pessoas já tenham entendido que cada um pode acreditar no seu deus, seja no deus do padre Inácio, seja em Nhanderuvuçu, seja noutro deus qualquer  ou talvez não acreditar em Deus nenhum.
Talvez no futuro já tenham aprendido que os homens podem acreditar em coisas diferentes, desde que acreditem uns nos outros. Aí a terra ia ser melhor que o céu."

Que dia lindo seria...lindo dia!
Vida que sigue...
bjs


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